Domingo, Outubro 18, 2009

Nordeste vai mal

Uma constatação óbvia quando olhamos as zonas de rebaixamento da Séries A e B do Brasileirão: o futebol do Nordeste vai mal. Tirando as exceções - Vitória na A e Ceará na B -, todos os representantes nordestinos nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro fazem campanhas sofríveis.

Na Série A, os dois representantes pernambucanos, Sport e Náutico, mofam na zona de rebaixamento. Na Série B, é ainda pior: os últimos cinco colocados são nordestinos - pela ordem, América de Natal, Fortaleza, Bahia, ABC e Campinense.

Curioso que essa situação ocorra logo depois de um clube nordestino voltar a ser protagonista no cenário nacional, algo que não acontecia desde 1988. O Sport, esse mesmo que caminha a passos largos rumo à Série B, venceu a Copa do Brasil em 2008 e fez a melhor campanha no "grupo da morte" da Libertadores, contra LDU, Palmeiras e Colo Colo.

Mas no caso do Sport, o sucesso veio em competições de tiro curo. Parece que os nordestinos não souberam se adaptar às exigências dos longos campeonatos de pontos corridos. Na Série A, desde 2003 tivemos apenas UM nordestino entre os 10 primeiros, o Vitória, décimo em 2008. Na Série B, desde 2006, dos 12 clubes promovidos, quatro foram nordestinos, sendo que três no mesmo ano (Sport, Náutico e América de Natal em 2006). Em 2007 só o Vitória subiu, como quarto colocado. E em 2008 o melhor nordestino na segundona foi o Ceará em décimo lugar.

E, vejam só, não estamos falando de times de cidades perdidas pelo interiorzão do Brasil. Recife, Fortaleza e Salvador estão entre as 10 maiores cidades do País, todas com mais de 1,5 milhão de habitantes, e entre os 20 maiores PIBs, maiores que os de Barueri, Goiânia e Florianópolis, por exemplo.

Se os campeonatos terminassem hoje, em 2010 o número de nordestinos na Série A cairia de três (Sport, Náutico e Vitória) para dois (Ceará e Vitória). Na Série B, também seriam menos representantes, de seis (ABC, Ceará, Bahia, Fortaleza, Campinense e América de Natal) para cinco (ASA, Icasa, Sport, Náutico e América de Natal).

Até na Série C o saldo de promovidos e rebaixados do Nordeste é negativo. Confiança e Sampaio Correa caíram para a Série D e apenas o Alecrim subiu. Mas a representação da região na Terceirona deve ser das maiores, já que devem vir mais quatro times da Série B. Ô, tristeza...

Sábado, Outubro 17, 2009

Garrincha no Náuas

Este domingo, 18 de outubro, é uma data especial para o futebol brasileiro, pois hoje faz 76 anos que nasceu a alegria do povo, o anjo de pernas tortas, o Mané Garrincha. E amanhã, dia 19, é aniversário de 86 anos do querido Náuas, o time que tem sede em Cruzeiro do Sul (AC), a 600km de distância de Rio Branco. Por isso, resolvi homenagear os dois com um post.

Parece inacreditável, mas num ano qualquer da década de 1970 um dos gênios do futebol mundial cruzou o caminho do pequeno clube acriano, na época uma equipe amadora. Sim, Garrincha jogou no Náuas.

Antes de encerrar definitivamente a carreira, Garrincha rodou por diversos clubes pequenos do Brasil. Entre eles, o Olaria, a Portuguesa carioca e o Ceub (DF). Na década de 1970, chegou a jogar no Juventus do Acre, uma das equipes tradicionais do estado. Foi provavelmente nessa época que ele disputou em Cruzeiro do Sul uma partida amistosa com a camisa do Náuas. Uma não, meia.

Segundo conta por e-mail o presidente do Náuas, Edvan Marques, o jogo foi um amistoso entre o Náuas e o São Cristóvão, outra equipe cruzeirense, em um ano em que ele não sabe precisar, durante uma visita do maior ponta da história a Cruzeiro do Sul. Garrincha jogou o primeiro tempo com a camisa do Náuas e o segundo com a do São Cristóvão. A partida foi realizada no estádio Cruzeirão, o mesmo em que o Náuas pretende mandar seus jogos em 2010.

Abaixo, vocês podem ver o registro do dia em que um dos jogadores mais queridos de todos os tempos teve a honra de vestir o manto do querido Náuas.

Feliz aniversário para Garrincha e para o meu time preferido no Acre.

(Garrincha é o primeiro agachado da direita para a esquerda, ao lado do guri com a camisa da Seleção. A foto foi gentilmente cedida pelo Náuas Esporte Clube)

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Faltou o Barueri

Aquele meu texto anterior, sobre as categorias de base, tem uma falha: faltou incluir o Barueri na lista. Eu tinha feito o levantamento do Barueri na semana passada, salvei no arquivo no meu computador, mas acabei esquecendo (Meu Deus, o Barueri! Como pude esquecer?) do clube na hora de passar pro blog ontem.

Vai dar uma pequena diferença no texto, já que o Barueri é o segundo pior em número de atletas das categorias de base, com 3 jogadores entre 32 listados no site (9,5%). Com isso, o Santos passa a ser terceiro. Minha brincadeirinha com o jogo Sport x Santos foi por água abaixo... :-(

Alterei o texto original. Quem me alertou da falta do ABELHA nas minhas estatísticas foi o camarada Anselmo Massad, do blogue Futebol, Política e Cachaça (Futepoca). Aliás, o Futepoca é mais um desses blogues que vale muito a pena ler. Não deixem de visitar.

Valeu pela correção, Anselmo!

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Galo é quem mais aposta na prata da casa

Acabou agora há pouco o jogo entre Sport e Santos, com vitória santista por 1-0, partida que reuniu os dois dois dos times que menos apostam nas categorias de base na Série A. Não sabia? Pois é, esse foi o resultado de uma pesquisa que fiz nos sites dos 20 clubes da primeira divisão.

No site do Sport, estão listado 33 jogadores, dos
quais apenas três (9%) são crias das divisões de base do Leão da Ilha do Retiro. No Santos, que um dia já apostou em vários "meninos da Vila", apenas seis dos 34 atletas (17,5%) listados no site do clube foram formados nas canchas do Alvinegro Praiano. Quem diria, hein? Entre santistas e pernambucanos está o Barueri, com 9,5% (3 de 32 jogadores).

Neymar é um dos poucos meninos da Vila no elenco santista em 2009. (Foto: Mauricio de Sousa/Santos Futebol Clube)

Logo na sequência como time que menos aposta em categorias de base vem uma surpresa. Provavelmente o clube mais pobre da Série A, o Avaí tem a grande maioria de seu elenco formada por "forasteiros". Os guris formados na Ressacada são apenas 19% do elenco - seis de 31 atletas listados no site. Curiosamente, foi um guri da base que salvou o time da derrota em casa contra o Cruzeiro no fim de semana. Aos 46 minutos do segundo tempo, o atacante Cristian, de 19 anos, que ainda mora no alojamento do clube, fez o gol do empate por 2-2. Quanta ironia...

Em situação totalmente oposta está o Atlético Mineiro, que faz sua melhor campanha na Série A desde 2001 com um elenco em que há mais jogadores formados no clube do que forasteiros.
São 23 entre 44 jogadores listados no elenco (52%). Alguns deles saíram e voltaram para o clube, como Éder Luís (passou pelo São Paulo) e Thiago Feltri (jogou no Goiás), enquanto outros firmaram-se como titulares ao longo da campanha deste ano, como os zagueiros Werley e Welton Felipe (foto).

Outro time que faz boa campanha e aposta bastante nas categorias de base é o Goiás, que tem 42% do elenco formado em casa. Entre os mineiros e os goianos, está o Atlético Paranaense, com 50% do elenco composto por pratas da casa.

No meu pensamento de leigo, se eu fosse dirigente de clube apostaria bastante nas categorias de base. Formaria meu elenco com 15 a 20 jogadores dos melhores que eu pudesse pagar e completaria o grupo com guris da casa. Pra que contratar três laterais-esquerdos, cinco atacantes, etc.? Os guris são mais baratos e quem sabe ainda podem render uns trocados no futuro. E não existe clube que consiga contratar 20 ou 30 jogadores de alto nível. Quem faz isso com certeza traz vários atletas piores dos que os que tem em casa. Falo isso com conhecimento de causa, pois já vi o Avaí contratar 70 jogadores num ano, dos quais uns 60 eram piores que os nossos juvenis.

Goiás, mais um time que aposta forte nas categorias de base (Foto: Goiás Esporte Clube)

Além das vantagens econômicas, acho muito bonito ver equipes com bastante gente formada em casa. O time fica com a cara da região em que está localizado e sempre traz boas revelações. Peguemos o Sport, por exemplo. Os caras que tão lá são os mesmos que ano passado estavam no Inter, no Palmeiras, no Galo, no Figueirense... Não tem nenhuma novidade, não trouxe nada de novo. Sinceramente, não tenho muito interesse em parar pra ver jogo de um time desses. Por outro lado, passei a assitir a jogos de Galo e Goiás pra ver quem é esse Welton Felipe que tantos elogiam, quem é esse Rafael Tolói que muitos falam tão bem e por aí vai.

Abaixo, o percentual de jogadores formados em casa no elenco de cada time, de acordo com os dados que encontrei nos sites, com exceção do Santo André, que não atualiza sua página faz tempo. Usei a Wikipédia para fazer o percentual do Ramalhão. Merece destaque também o Vitória, que não está entre os primeiros nos percentuais mas tem, além dos guris da base, vários jogadores que vieram de equipes pequenas da Bahia (Ipitanga, Itabuna, Atlético de Alagoinhas, Vitória da Conquista, etc.). Ou seja, é um legítimo representante baiano. Queria que o Avaí apostasse assim nos caras aqui da terrinha.

% de jogadores do elenco formados nas categorias de base

Atlético Mineiro - 52%
Atlético Paranaense - 50%
Goiás - 42%
Corinthians - 40,5%
Flamengo - 38,5%
Grêmio - 38,5%
Internacional - 34,5%
São Paulo - 33,5%
Vitória - 32,5%
Fluminense - 27,5%
Botafogo - 26,5%
Náutico - 26,5%
Palmeiras - 26,5%
Coritiba - 26%
Cruzeiro - 20,5%
Santo André - 20,5%
Avaí - 19%
Santos - 17,5%
Barueri - 9,5%
Sport - 9%

Terça-feira, Outubro 06, 2009

2010, o ano da maratona

Se para conquistar o título brasileiro deste ano os times precisam ter fôlego na reta final da Série A, imagine como será no segundo semestre de 2010, quando os nossos 20 melhores clubes terão que disputar 31 jogos do Brasileirão em 140 dias, alternados com finais da Copa do Brasil e da Libertadores e a Copa Sul-Americana. A expressão "maratona de jogos" nunca foi tão apropriada. Toda essa loucura está lá, no calendário 2010 divulgado pela CBF em seu site.

Em 2010, os times brasileiros terão incríveis dez (eu disse DEZ!) dias de pré-temporada antes que comece a pauleira, com os campeonatos estaduais. Ah, os estaduais. Nem em ano de Copa eles mudam. Serão 23 datas, de janeiro a maio. Por quase quatro meses, os principais clubes do País vão ter que jogar torneios deficitários para atender a interesses comerciais e políticos. Mas eles também não reclamam, não dizem nada, então deve estar bom assim.

As Séries A e B terão apenas sete rodadas antes da Copa do Mundo (imagina a empolgação da galera pra ir assistir esses jogos...) e 31 depois. Já a Copa do Brasil terá suas finais depois da Copa. E aí o Tico pergunta pro Teco: por que raios não colocaram então cinco rodadas da Série A antes da Copa e fizeram as finais da Copa do Brasil no primeiro semestre? Detalhe: a Série A recomeça TRÊS dias depois da final da Copa, mas a primeira partida da final da Copa do Brasil só ocorre duas semanas depois, na mesma data em que começa a semifinal da Libertadores.

Falando em Libertadores, assim como a Copa do Brasil, ela terá suas finais disputadas somente depois da Copa, como foi em 2006. É ridículo, mas é verdade. Pelo menos houve um avanço em relação àquele ano, quando o Inter disputou a primeira partida das quartas-de-final contra a LDU antes da Copa e o jogo de volta após o Mundial. Desta vez, somente a semifinal e a final ocorrem depois da Copa. Que evolução! Quem sabe até a Copa de 2094 a Conmebol consiga montar um calendário em que a Libertadores termine antes do Mundial.

Ah, e a etapa brasileira da Sul-Americana continua em 2010. Ela começa justamente na data do primeiro jogo da final da Libertadores e no mesmo dia em que haverá um jogo da Seleção da CBF. Seleção que vai jogar mais três vezes no segundo semeste do próximo ano em dias em que haverá jogos das Séries A e B. Mas que beleza...

Fugindo um pouco do assunto para finalizar, só ontem, numa conversa com colegas, percebi que o site da CBF está hospedado no portal Globo.com. Como é que se diz mesmo? "Unha e carne", né? Pois é...

Sábado, Outubro 03, 2009

Quando menos é mais

Já cansei de repetir que aquela fase "brasileira" da Copa Sul-Americana não faz nenhum sentido - afinal, é Copa Sul-Americana ou Copa do Brasil? - e os números estão aí pra provar. A média de público na fase nacional foi de 8.646 pagantes por partida, pouco mais de metade da média da Série A. Já nos confrontos contra os times gringos em solo brasileiro, realizados pelas oitavas-de-final, a média subiu para 11.328. Não é nada fantástico, mas já é um aumento de 31% em relação à etapa anterior.

Aí a gente para pra pensar: a quem interessa ver os reservas do Atlético Mineiro e o Goiás enfrentarem-se na primeira fase de um torneio internacional em um Mineirão vazio? Aos clubes? À Conmebol? À CBF? À TV? Aos torcedores com certeza não interessa, haja vista o público felomenal de 2.197 pagantes.

A Copa Sul-Americana não empolga ninguém porque já nasce torta. Onde já se viu OITO times classificarem-se via Série A? Ano passado até o 14º colocado, o Atlético Paranaense, conseguiu vaga.

Não existe luta pela vaga, os times simplesmente caem na zona da Sul-Americana. O próprio Atlético estava seriamente ameaçado pelo rebaixamento na última rodada do ano passado, ganhou e levou a vaga no torneio internacional. A mesma vaga que o Flamengo conseguiu somando 19 pontos a mais. Não tem cabimento.

Com certeza a Sul-Americana seria muito mais interessante se apenas quatro brasileiros classificassem e entrassem direto na fase internacional. Até a Série A sairia ganhando, pois teria emoção até as últimas rodadas.

Na Série A de 2008, por exemplo, a última rodada teve oito equipes que não tinham mais nada a disputar. Apenas dois de 10 jogos envolviam dois times que ainda brigavam por algo. Isso porque havia uma enxurrada de times que já não podiam nem cair, nem ir à Libertadores e estavam garantidos na Sul-Americana.

Se o número de classificados para a competição continental fosse quatro, em vez de oito, o número de jogos "quentes" seria maior. Seriam quatro partidas envolvendo dois times que ainda almejavam algo na competição. Mais emoção, sem dúvida. E acho que se tivessem que brigar pelas vagas, os times pensariam duas vezes antes de desdenhar a Sul-Americana.

Fiz abaixo um esquema de como foi a última rodada da Série A em 2008 e como ela seria se apenas quatro times se classificassem para a Sul-Americana. Fiz a separação em jogos "quentes" (os dois times brigando por alguma coisa), "mornos" (apenas um time precisando de resultado) e "frios" (os dois times sem nada a disputar).

Como foi - oito times indo para a Sul-Americana

Jogos quentes (2)
Santos (Sul-Americana) x Náutico (Sul-Americana/Rebaixamento)
Atlético PR (Sul-Americana/Rebaixamento) x Flamengo (Libertadores)

Jogos mornos (7)
Goiás (nada) x São Paulo (título)
Grêmio (título) x Atlético Mineiro (nada)
Palmeiras (Libertadores) x Botafogo (nada)
Cruzeiro (Libertadores) x Portuguesa (nada)
Figueirense (rebaixamento) x Inter (nada)
Fluminense (Sul-Americana) x Ipatinga (nada)
Vasco (rebaixamento) x Vitória (nada)

Jogo frio (1)
Sport (nada) x Coritiba (nada)

Como seria - quatro times indo para a Sul-Americana

Jogos quentes (4)
Grêmio (título) x Atlético Mineiro (Sul-Americana)
Palmeiras (Libertadores) x Botafogo (Sul-Americana)
Atlético PR (Rebaixamento) x Flamengo (Libertadores)
Vasco (Rebaixamento) x Vitória (Sul-Americana)

Jogos mornos (4)
Goiás (nada) x São Paulo (título)
Cruzeiro (Libertadores) x Portuguesa (nada)
Figueirense (rebaixamento) x Inter (nada)
Santos (nada*) x Náutico (Rebaixamento)
*tinha uma possibilidade remota de rebaixamento, já que o Santos tinha três pontos e 17 gols de vantagem de saldo para o Figueirense, o 17º na época. Por isso desconsiderei.

Jogos frios (2)
Fluminense (nada*) x Ipatinga (nada)
Sport (nada**) x Coritiba (nada)
*tinha uma possibilidade remota de rebaixamento, já que o Fluminense tinha três pontos e 27 gols de vantagem de saldo para o Figueirense, o 17º na época. Por isso desconsiderei.
**isso porque já estava na Libertadores como campeão da Copa do Brasil. Se não estivesse, chegaria à última rodada da Série A brigando por vaga na Sul-Americana caso apenas quatro times se classificassem.

Médias de Público 2009

Série A - 16.000
Copa Sul-Americana fase internacional - 11.328
Copa do Brasil - 11.185
Copa Sul-Americana fase nacional - 8.646

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Mãe Dinah

Caros amigos, de sexta-feira até quarta-feira (25 a 30), vou estar em viagem de trabalho pelo interior de Santa Catarina. Por isso, não voltarei a escrever no blogue até semana que vem.

Mas para alegrar o fim de semana de alguns e estragar o de outros, coloco abaixo os resultados aos quais cheguei depois de simular todos os resultados das rodadas que faltam nas Séries A e B no simulador de resultados do Globo Esporte.com. Veja quem, segundo meus palpites, vai ser campeão, quem sobe, quem desce, etc.

Abraços e bom fim de semana a todos. Até semana que vem!

Série A

Campeão: Palmeiras (77pts.)
Libertadores: Internacional (69), São Paulo (67) e Goiás (62)
Sul-Americana: Atlético Mineiro (58), Grêmio (56), Santos (53), Avaí (52), Flamengo (52), Coritiba (49), Vitória (48) e Cruzeiro (48)*
Rebaixados: Náutico (39), Botafogo (38), Sport (32) e Fluminense (27)
*Corinthians termina com 52 pontos, mas vai para a Libertadores como campeão da Copa do Brasil.

Série B

Campeão: Vasco (86pts.)
Sobem: São Caetano (71), Guarani (70) e Figueirense (63)
Rebaixados: Juventude (44), Duque de Caxias (43), Campinense (38) e Fortaleza (36)

Até de barco eles vão

Quem se comoveu com a história do querido Náuas, contada por neste blogue na semana passada, que se prepare para se derreter em lágrimas novamente, pois hoje escrevo sobre o não menos querido São Raimundo. Não, não é aquele do Amazonas que chegou a disputar a Série B no início desta década. Falo do São Raimundo de Santarém (PA), o Pantera Negra, vice-campeão paraense e que está a 90 minutos de ser o terceiro representante do Pará na Série C, deixando no chinelo um dos gigantes do estado, o Remo.

Assim como o Náuas, o São Raimundo enfrenta muitas dificuldades no estadual por causa da distância para a região da capital, onde tem sede a maioria dos clubes do Campeonato Paraense. Por terra, são 1.437 quilômetros separando Santarém de Belém. O adversário mais próximo é o Águia de Marabá, a 1.028 quilômetros de distância. Coisa de louco.


Não bastasse a tortura que é para o São Raimundo encarar as viagens para disputar o estadual, o clube tem que pagar as despesas dos visitantes quando eles vão jogar em seu estádio (leia o rodapé
desta página). E quando é o time santareno que vai à Capital (pelo que li, geralmente de avião), tem que bancar suas próprias despesas. Tem cabimento um negócio desses?

Mas, como dizem, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E o brioso São Raimundo, mesmo com todas as dificuldades, fez um baita estadual este ano. Baita mesmo. Quem esperava ver um Re-Pa (Remo x Paysandu) na final, viu um Rai-Pa (São Raimundo x Paysandu), depois que o alvinegro santareno decretou o fim da temporada 2009 para os remistas em ABRIL com a vitória por 2-1 na final do returno, diante de 18 mil pessoas no estádio de Santarém, o Jader Barbalho (ele mesmo!), vulgo Barbalhão ou Colosso do Tapajós. A única coisa que ofuscou a brilhante campanha foi a derrota por 6-1 na final para o Paysandu. São as dores do crescimento. Faz parte.

São Raimundo surpreendeu os grandes da Capital no Paraense 2009 (Foto: Site do São Raimundo)

Um dos fatos que mais me emocionaram ao ler sobre a campanha do São Raimundo no Campeonato Paraense foi a viagem que cerca de 150 torcedores fizeram de barco até Belém para assistir ao primeiro jogo da final do segundo turno contra o Remo. Foram 48 horas de viagem. É por isso, meus caros, que só se fala de futebol nos programas esportivo. Me diz quando que alguma criatura encarou 48 horas de barco pra ver um jogo de vôlei. Haja paixão! A propósito: o São Raimundo já é um respeitável senhor de 65 anos de idade (fundado em 1944). Essa paixão não nasceu ontem. Coisa linda.

Pois bem, com o vice-campeonato do Pará, o São Raimundo garantiu a vaga na Série D, que o Remo tanto almejava. E fez bonito na competição nacional. Chegou às quartas-de-final e está a um empate sem gols da Série C. Na primeira partida contra o Cristal (AP), empatou por 1-1 em Macapá. Impossível não torcer pelo São Raimundo nesse confronto. A média de público do time santareno é de 4,9 mil pagantes por jogo (mais que Barueri e Santo André na Série A), a maior entre os oito times que ainda estão na competição. Os macapaenses só conseguem levar 541 testemunhas por partida. Se chegar lá, o São Raimundo junta-se ao Paysandu e ao Águia de Marabá como representante do Pará na terceira divisão nacional.

Barbalhão lotado em dia de jogo do São Raimundo (Foto: Jairo Abel Garcia)

A boa média de público mostra que a campanha do São Raimundo na Série D deixou a torcida local em puro êxtase. Por e-mail, o torcedor Jairo Abel Garcia me mandou o seu recado, sonhando alto:

Hoje o São Raimundo é um representante não só de Santarém, mas de todo o Oeste do Pará. É um sonho que tá virando realidade, apesar de não ter apoio do Estado e do Município igual ao que Remo e Paysandu têm na Capital. Hoje o time tem uma diretoria de futebol que vale ouro, um elenco que é igual a um diamente e que todo dia é lapidado pra ficar sempre melhor. E torcedores que são o esteio do time. Nós, torcedores, aprendemos a gostar e apoiar o time em diversas situações. Isso mostra o amor do torcedor pelo time. Hoje acreditamos que somos capazes de chegar ao topo e vamos alcançar nosso objetivo, que é o Campeonato Brasileiro da Série A até 2014 e quem sabem, um Mundial de Clubes.

Sonhar não custa nada, né? Quem sabe um dia o São Raimundo chega lá. Eu, sinceramente, já adotei o Pantera como meu time no Pará e espero que um dia ele chegue lá. Com certeza estaria na minha Série A dos sonhos, junto com o Avaí (claro, não pode faltar), o Náuas e o ASA de Arapiraca.


Um pouco mais de informações sobre o São Raimundo:

1Nome
: São Raimundo Esporte Clube
Fundação: 9 de janeiro de 1944
Cidade:
Santarém (PA). Localizada a 1,4 mil quilômetros ao Oeste de Belém, na região do Tapajós. Tem 276 mil habitantes.
Estádio: Jader Barbalho, o Barbalhão.
Títulos: Taça Estado do Pará (2009) - segundo turno do estadual
Cores:
preto e branco
Mascote: pantera negra
Site:
www.saoraimundotapajos.com.br